quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CONFIDÊNCIAS DE UMA PIAUIENSE
Por: Ana Glades de Melo Nogueira
Alguns anos vivi no Piauí
Principalmente, nasci no Piauí
Por isso sou assim: alegre e triste, um pouco orgulhosa
Um pouco humilde – de barro
Mas, só um por cento de barro
Noventa e nove por cento de teimosia, vontade de viver,
De superar, de me superar.
E esse estranhamento de tudo que me escapa às mãos,
Não consigo entender.

O desejo de amar, que me leva pra frente,
Vem do Piauí, de suas noites sem nuvens,
Do seu céu estrelado, do seu horizonte tão distante,
Mas não menos belo.

E esse hábito de viver, ah, esse doce hábito,
Isso vem do Piauí.

Pra você,  ofereço o que trago na lembrança:
A lenda do cabeça de cuia, o pote de barro,
O biju feito no fogão de lenha por minha avó,
Essa simplicidade,
Esse jeito...

Não tive fazenda, nem ouro,
Sou professora, sou aprendiz
Mas, o Piauí não é só um retrato na parede
É uma esperança.
Minha vida não é só uma moldura
É uma tela em branco
Que todos os dias ganha uma nova cor,
Novos tons e se modifica,
E muda o ângulo,
Minha vida vai além do que busco
E do que sou.

(Com licença poética a Drummond em Confidência de um itabirano, in Sentimento do Mundo)

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