CONFIDÊNCIAS DE UMA PIAUIENSE
Por: Ana Glades de Melo Nogueira
Alguns
anos vivi no Piauí
Principalmente,
nasci no Piauí
Por isso
sou assim: alegre e triste, um pouco orgulhosa
Um pouco
humilde – de barro
Mas, só
um por cento de barro
Noventa e
nove por cento de teimosia, vontade de viver,
De
superar, de me superar.
E esse
estranhamento de tudo que me escapa às mãos,
Não
consigo entender.
O desejo
de amar, que me leva pra frente,
Vem do
Piauí, de suas noites sem nuvens,
Do seu
céu estrelado, do seu horizonte tão distante,
Mas não
menos belo.
E esse
hábito de viver, ah, esse doce hábito,
Isso vem
do Piauí.
Pra
você, ofereço o que trago na lembrança:
A lenda
do cabeça de cuia, o pote de barro,
O biju
feito no fogão de lenha por minha avó,
Essa
simplicidade,
Esse
jeito...
Não tive
fazenda, nem ouro,
Sou
professora, sou aprendiz
Mas, o
Piauí não é só um retrato na parede
É uma
esperança.
Minha
vida não é só uma moldura
É uma
tela em branco
Que todos
os dias ganha uma nova cor,
Novos
tons e se modifica,
E muda o
ângulo,
Minha
vida vai além do que busco
E do que
sou.
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