sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lucíola

LUCÍOLA...

Poema livremente inspirado no livro homônimo de José de Alencar



Paulo deseja  Lúcia
Lúcia deseja  Paulo
A versatilidade do amor
A temática do amor
A problemática do amor
Amor divino
Amor supremo
Amor universal
Estando no Rio de Janeiro
A cidade desperta paixões
A sociedade, movida pelo dinheiro
É a famosa ‘moral burguesa’
O ‘homem’ é objeto da sociedade
A sociedade ‘ejeta’ o homem
O homem-cru
O homem-ingênuo
O homem-homem
Nesse clima tão ‘propenso’
Tão forte, tão intenso
Surge o  Amor
Um amor que poderia ser imortal
Como imortais se tornaram ‘Romeu’ e ‘Julieta’
Mas ainda assim, Paulo ama
E Lúcia  também ama
Mas ele, ingênuo e apaixonado
Não sabe o que Lúcia faz para viver
No início, reluta, foge
Mas entrega-se à paixão
E amam-se como sempre
Doam-se como nunca
Ele conhece o mundo
Ela desconhece a si mesma
As convenções, as imposições
Impedem o amor entre a cortesã  e o plebeu
As mesmas convenções
As velhas convenções
As mesmas imposições
Impedem a vitória do amor
Paulo e Lúcia afastam-se
No ventre de Lúcia, o fruto do ‘pecado’
Lúcia transforma-se
Regenera-se
Purifica-se
O BEM vence o MAL
Afastam-se
A vitória do Amor
Um Amor capaz de sacrifícios
Capaz até de morrer
Para salvar a si mesmo
E morre junto com Lúcia
Pura
Simples
Heroína
Morre sem final feliz
Morre para renascer
Para mostrar que o Amor deve sobreviver
Às inconseqüências
Aos conflitos
E a si mesmo.



Paracatu, verão de 2003






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